De: Clotilde Tavares Para: Henrique Gougon Assunto: JC OnLine - Segunda Capa.html Data: domingo, 29 de setembro de 2002 01:10 JC OnLine - Segunda Capa TEMPOS SOMBRIOS II Suásticas do Palácio do Governo foram retiradas Na Paraíba, outro símbolo nazista - suásticas impressas no antigo piso de ladrilhos do terraço dos fundos do Palácio do Governo - jaz, atualmente, nos porões da Suplan, a Superintendência de Planejamento do Estado. As pedras foram importadas da Europa, na década de 30, em plena expansão do nazifascismo. Eleito em 1994, o então governador Antonio Mariz, vitimado por um câncer no estômago e já próximo da morte, recomendou a retirada do piso em fevereiro de 95, dois meses depois de empossado. "Incomodava-o o fato de ter que pisar naquilo a caminho, diariamente, do gabinete de trabalho", conta o ex-chefe da Casa Civil Cláudio de Paiva Leite. A remoção do piso insatisfez parcela expressiva dos meios culturais do Estado. Amigo pessoal do ex-governador, o economista Ronald Queiroz tentou demover Mariz da idéia de substituição dos ladrilhos que continham as suásticas, argumentando que elas faziam parte da história e que não representavam, hoje em dia, culto ao nazismo. Mariz manteve-se irredutível e determinou a substituição, no que foi obedecido por Cláudio Leite, de quem partiu a ordem de serviço. Para a história e os historiadores sobraram um painel de oito ou dez pedras montado num cavalete e os ladrilhos restantes levados à guarda da Suplan. Quando vivo, o ex-desembargador João Pereira Gomes, que também ocupou a Casa Civil de outro governador paraibano (Tarcísio Burity), assegurava que o piso de suásticas fora trazido voluntariamente à Paraíba e presenteado ao interventor do Estado Argemiro de Figueiredo pelo alemão Ernest Genz, representante da companhia de veículos Auto Union. O arquiteto Mário Glauco de Lascio afirma que viu, quando menino, a instalação dos ladrilhos no Palácio, que então servia também como residência oficial dos governadores paraibanos. A amizade de seu pai, o velho Ermenegildo, com o chefe do governo permitia que ele corresse livremente pelos corredores e salões com os meninos da casa. Hoje, Mário entende que houve a importação do piso de maiólica belga numa época em que, à semelhança das artes gregas ensinadas nas aulas de desenho, a cruz gamada representava elemento de decoração. O historiador José Octávio de Arruda Melo tem opinião diferente: "Aquilo tinha sentido ideológico", garante. Segundo ele, Argemiro, que governou a Paraíba de 1935 a 1940, era simpatizante do nazi-fascismo. Em 1933, explica José Octávio, a suástica tornara-se tão característica do nazismo que a empresa de petróleo inglesa Shell decidiu suprimi-la do logotipo, trocando-a pela marca ainda hoje em vigor. Mas o historiador, como tantos outros, lamenta a retirada dos ladrilhos do Palácio. "A história não pode ser mudada", argumenta. ___________________________________ Jornal do Commercio Recife - 20.11.2000 Segunda-feira